O Yoga Hoje

Prof. Horacio Durigon

Escuela Yoga para Occidente de Buenos Aires

 

Palestra oferecida no dia 7 de maio de 2004 para os alunos de Yoga do Espaço Cultural “Pés no Chão” e aberta as pessoas da comunidade.

 

A nossa vida é feita de pequenas decisões. Na verdade, as coisas “nos acontecem”, porque não somos conscientes. Somos infelizes porque temos idéias muito precisas, mandatos da sociedade sobre o que deveríamos fazer.

 

Não vejamos o Yoga como algo estranho, uma prática lá da Índia. O Yoga é uma forma de viver. Uma maneira de escolher, de me relacionar com o outro, de ser mais livre, de me conhecer. Que é conhecer-se a si mesmo?

 

A nível físico, por exemplo, nos movimentos e posturas do Yoga, o objetivo não é fazer certinho, conseguir pôr o braço lá, ou encostar a cabeça cá… O objetivo é me conhecer. O meu corpo me mostra meu limite e minha possibilidade: conhecer a minha capacidade, onde está minha dor, onde o meu relaxamento. Saber até onde posso chegar hoje, sabendo que amanhã poderei chegar mais longe.

 

O mesmo se aplica às emoções. Além de conhecer e cuidar delas, é preciso educá-las, permitir-nos ter emoções novas. Parece que só temos aprendido 4 emoções: bom-certo / mau-errado / sucesso / fracasso. Têm-nos falado que na vida temos que ter sucesso (dinheiro, poder), se não, você é um fracassado. As emoções são como as cores: há muitas tonalidades, não apenas branco e preto. Por exemplo, os níveis de sucesso são diferentes, não só como tem nos sido ensinado.

 

Nossos pensamentos estão condicionados pelos criadores de opinião dos jornais, pela TV, pelas outras pessoas. Repetimos. Não sabemos o que é pensar, ter um pensamento diferente, próprio. O Yoga nos permite expandir a nossa compreensão. Ao ver mais o seu valor de realidade, seu valor de verdade se torna menor. Uma idéia interessante para compreender é a das dimensões. Tomemos o caso das três dimensões do espaço: temos o ponto, a linha, o plano, e o corpo. A formiga não pode entender o homem. Vamos supor o caso de um ser que vive na dimensão do plano. Temos um lápis atravessando esse plano. Primeiro reconheceria uma coisa com forma de cone, depois um cilindro. Não poderia fazer-se uma real idéia do lápis. O mesmo acontece com as pessoas. A pessoa superficial não pode pensar em nada profundamente. Há também as dimensões do tempo. Temos a dimensão linear na horizontal, na qual pensamos no tempo, não no momento. Penso em amanhã e em libertar-me do peso de ontem, e espero que amanhã seja diferente. Essa decisão é agora. Na dimensão vertical do tempo. O símbolo da cruz representa essas duas possibilidades do homem: viver no tempo ou viver no agora.O Yoga não se pode praticar amanhã.

 

Estas são idéias novas. Às vezes não lhes damos espaço, porque voltamos a pensá-las a partir das velhas idéias. Quando me tornar como uma criança, tudo se torna interessante, o que me permite ampliar a minha forma de entender o mundo. Mas parece que a única coisa importante é resolver meu problema. Mas não é assim, porque depois de se resolver um problema, em seguida vem outro. Não será que a nossa vida se trata de encontrar soluções? De estarmos preparados para o desafio do agora, do que nos toque viver?

 

Espero que estas idéias lhes sirvam para discutir um bom tempo, que delas não se esqueçam daqui a um minuto, mesmo que não concordem. Compartilhem, troquem entre vocês. Não temos, para compartilhar, somente os nossos problemas. Também temos para compartilhar como vamos viver de outra maneira. Como iremos fazer isso.

 

Nascemos para isso. Talvez a vida seja encontrar aquilo que nos une. Como o Yoga (a palavra yoga significa união). Encontrar o que nos une é encontrar o Amor. A emoção é o que une, dá a mão ao corpo e ao pensamento. Quando não consegue unir, temos problemas. Ficamos doentes ou confusos.

 

Pergunta                 Porque o ser humano endeusa a desgraça?

 

Resposta                É um estado no qual muita gente vive. Não podemos mudar o mundo todo. Mas posso me propor a compartilhar outra coisa. Não criar problemas ao outro. Nós somos a sociedade. Tenho que purificar-me, conhecer-me a mim mesmo. O primeiro grau do Yoga nos fala das forças que movem as pessoas: a violência, a cobiça, a falta de equilíbrio, a mentira, o roubo (apropriar-me do que não me pertence não se limita às coisas materiais). Se cada um dos que estamos aqui mudasse um pouquinho… Vocês vivem numa sociedade pequena. Tentem fazer uma sociedade diferente. As pessoas podem ser ajudadas a pensar de outra maneira. Quem de vocês nasceu aqui? O que vocês tem vindo a buscar em Ilhabela? Uma vida mais tranqüila? Todos vivem se cuidando, se protegendo, como se estivéssemos rodeados de inimigos. No fim todos temos as mesmas necessidades: comer, sermos aprovados, estarmos sadios, etc. É preciso ter sinceridade para tentar resolver a problemática do que nos pressiona a ser de uma maneira determinada. É possível !Já o estamos fazendo. Nunca duvidem disso. Vivam numa outra dimensão.

 

Pergunta                 Tem alguma dica para conseguirmos perseverança e disciplina?

 

Resposta                O Yoga só tem uma forma de trabalho: perseverança e disciplina. Mas por que não as temos? -Porque somos possuídos por diferentes coisas. Agora quero tal coisa, depois tal outra… Não posso me manter num objetivo. Me perguntava, quanto tempo leva tornar-nos perseverantes? Há coisas que vão nos levar a vida toda. Podemos ser, nos atreveríamos a ser perseverantes no amor a vida toda? O segredo é ter UM PROPÓSITO: durante este ano vou fazer UMA coisa. Se deixo de fazê-la, volto a começar. Como se faz uma coisa? -Fazendo-a!

 

 

Elaboração do Texto: Cielo Costa