Nos dias 22 e 23 de janeiro de 2005, o Pés no Chão apresentou "Peças e Pessoas".
O espetáculo, produzido pelo SESC Itaquera SP, em conjunto com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, reuniu 45 jovens da Zona Leste, num projeto sóciocultural.

A peça aborda temas como guerras por território, poder e recursos naturais em um tabuleiro de xadrez Peças e Pessoas é um espetáculo cênico-musical realizado pelo Sesc Itaquera em parceria com a Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente.
O elenco da peça é formado por 45 jovens, de 14 a 25 anos, moradores da Zona Leste, selecionados entre 200 inscritos com habilidades nas diferentes áreas, porém sem a exigência de experiência anterior em artes.
Durante seis meses, os jovens passaram por um intenso e sistemático processo de preparação artística, envolvendo oficinas de expressão e percussão corporal, dança, teatro, canto, instrumentos musicais, cenografia e figurino.
O texto de Peças e Pessoas é de autoria de Luís Alberto de Abreu, a direção do espetáculo é de Calixto de Inhamuns, Ricardo Iazzetta e Charles Raszl, e a cenografia e figurino são de Carlos Colabone.

SINOPSE
A peça conta a história de uma sociedade que se organiza nos moldes de um jogo de xadrez, abordando, com humor e transparência, temas como a guerra por território, poder e recursos naturais, além da hierarquia entre as classes e o preconceito racial e social. O espetáculo acontece em um tabuleiro montado em uma arena ao centro do teatro, onde o público disposto em arquibancadas acompanha os atores caracterizados como Reis, Rainhas, Bispos, Torres, Cavalos e Peões.
O uso do xadrez como ambientação, além de ser um bom terreno para metáforas, exige uma história com personagens mais ou menos em nível de igualdade dramática, o que possibilitou o trabalho com um grupo grande. Dois grupos de jovens grafiteiros brigam por espaço nos muros da cidade grande. Para mostrar a crueldade da guerra com os jovens, um líder, reconhecido pelos dois grupos, intervém e conta uma antiga fábula sobre um reino distante no tempo chamado Navarro. Nesse antigo reino, dois povos, que há muito tempo se matavam nas guerras, encontraram uma fórmula de conviver com poucas mortes e pouco sangue: a alternância de poder através de um antigo jogo de xadrez.
Diante da morte de um amigo, um peão revolta-se contra o injusto sistema que sempre sacrifica os mais fracos. A partir daí, ele encontra uma “peona” inimiga e um antigo cavalo, herói em outros tempos de guerra, e juntos buscam restabelecer a paz no antigo reino e na vida dos jovens grafiteiros.

TRILHA SONORA
Todas as músicas são cantadas e tocadas pelos jovens durante o espetáculo. As letras são de Luís Alberto de Abreu e a composição e os arranjos são de Charles Raszl.
Com referências que vão da Renascença ao rap, arranjos vocais e percussão corporal formam a sonoridade do espetáculo. Eles também tocam instrumentos construídos com materiais alternativos (PVC, papelão, conduítes, garrafa pet) como flautas, tambores, chinelofones e petfones, além de violão.

CONTEXTO SOCIAL
A intenção inicial do projeto é proporcionar aos jovens da periferia a oportunidade de participar ativamente do processo de criação coletiva do espetáculo. Diante do contexto de poucas oportunidades para os jovens da região leste da cidade, onde se localiza o Sesc Itaquera, torna-se imprescindível investir em processos educativos que busquem, de forma criativa e participativa, a formação de sujeitos mais atentos ao seu potencial de transformação da realidade.
Sob esta ótica, a escolha da arte como eixo de aprendizagem, potencializando o olhar crítico e, ao mesmo tempo, desenvolvendo habilidades como a comunicação, a expressão, o trabalho em equipe, a responsabilidade, a autonomia e capacidade de criação, é um caminho cada vez mais procurado para promover o desenvolvimento pessoal de jovens e sua inserção qualificada na sociedade.
A cada encontro, uma trama traçando sentidos para a vida. Em cada gesto, a partilha conhecimento e prazer entrelaçados A energia pulsa em cada movimento, em cada palavra.

FICHA TÉCNICA
Texto: Luís Alberto de Abreu
Concepção geral: Calixto Inhamuns, Charles Raszl e Ricardo Iazzetta.
Direção Cênica: Calixto Inhamuns.
Direção de Movimento: Ricardo Iazzetta.
Direção Musical: Charles Raszl.
Composições originais: Charles Raszl e Luís Alberto de Abreu.
Arranjos: Charles Raszl.
Cenário e figurinos: Carlos Colabone.
Concepção e construção de instrumentos: Jamil Giudice.
Projeto de Iluminação: Domingos Quintilhiano. Fotografia: Key Sawao.

Elenco




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