No livro de Cervantes, há cerca de 400 anos, Dom Quixote inicia sua cavalgada pela justiça pregando a abolição das palavras meu e teu. O tempo remoto em que, supostamente, estas palavras não existiam, ele chamou “Idade de Ouro”. Acreditando piamente nisso, Dom Quixote, de obstinado leitor passará a ser o protagonista de um livro e ainda se descobrirá lido, interagindo com o leitor.
À luz de 2005 poderemos traduzir esta trajetória de diversas maneiras e consideramos a encenação teatral a melhor forma de trazer a tona a importância da obra, comunicando, atualizando e relacionando o original com a vida contemporânea. Na nossa leitura anônimos, movidos sabe-se lá por qual tipo de fé, ou pelas mais nobres intenções, tornam-se heróis, mitos, líderes.

Encontramos no dia-a-dia “cavaleiros”, quase sempre solitários, que negam a realidade em busca de seus ideais e vivenciam as desventuras e desastres, conseqüências do desapego e da flutuação entre o imaginário e o real.
A dialética entre a ironia e a ternura, o popular e o erudito, a beleza ilusória e a transparência, o humor e o temor, a busca da felicidade num mundo hostil, o individual e o coletivo, o desacerto como perspectiva, a revolta contra a alienação, a razão contra a convicção, são questões levantadas nos 400 anos da obra.
Estas abordagens estão postas na encenação como provocações para estimular a reflexão do público a cerca de: Qual a loucura maior, enxergar gigantes em moinhos de vento ou usar armaduras e máscaras que ocultem as individualidades? E qual a semelhança da vida contemporânea com a história de quatro séculos? Ainda nos faremos conhecer por nossos ideais? Ainda teremos coragem de sair na frente sem medo de expor o nosso sonho mais nobre e por isso mais ridículo, mais frágil, mais impossível?
Apresentação:
28 de maio de 2006.
Entrada Franca
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