....início :: histórico :: notícias :: links :: contribua :: contatos

Show de MPB

O Espaço Cultural Pés no Chão apresentou sábado, dia 1° de maio, o show "Da Zona Sul aos Cantos da Resistência", com Vavá Ilhabela e os músicos Marcelo Marins e Erik Lins.

Vavá é um artista conceituado em Ilhabela, com 40 anos de dedicação à arte de cantar e tocar. Já trabalhou com grandes nomes da MPB, como Elis Regina, Peninha, Agostinho dos Santos, Benito de Paula, entre outros. Viajou várias vezes pela Europa, apresentando-se em casas noturna da Itália, França, Alemanha, Espanha e Portugal.

O show mostrou um panorama do desenvolvimento da Bossa Nova desde o lançamento em 1959 de "Chega de Saudades" de João Gilberto, até as músicas de protesto dos anos 60 de compositores engajados, como Edu Lobo e Geraldo Vandré.

O movimento da Bossa Nova representou uma ruptura com o estilo do samba-canção, considerado pela nova geração de músicos retrógrado e ultrapassado. Eles buscavam uma nova forma, um novo estilo, moderno e inovador. Afinal, quem acabou encontrando o que todos buscavam foi João Gilberto.

Rui Castro, em seu livro "Chega de Saudades", diz o que João Gilberto significou para a música brasileira daquela época:

"Cantava agora mais baixo, dando a nota exata, sem vibrato, estilo Chet Baker, que era a coqueluche do momento."

"O impressionante era o violão. Aquela batida era uma coisa nova. Produzia um tipo de ritmo em que cabiam todas as liberdades que se quisessem tomar. Era possível escrever para aquela batida. Com ela, adeus à ditadura do samba quadrado."

Todos os materiais históricos sobre a criação da bossa-nova indicam que sua gestação aconteceu em reuniões, ora na casa de Nara Leão, ora na casa de Benê Nunes. Carlos Lyra, por outro lado, afirma que esta visão era simplista, e que a bossa nova foi o resultado de um processo cultural. com uma série de ramificações e uma série de formações. Neste sentido, pode-se considerar diferentes vertentes ou momentos da bossa-nova.

Há uma corrente mais "alienada", que tem como temas o mar, o sol, o amor e a flor, e outra mais engajada, preocupada com a realidade do país. Carlos Lyra pertenceu à primeira corrente, mas no início dos anos 60 rompeu com o grupo e se aliou a outros intelectuais, como Ferreira Gullar e Oduvaldo Vianna Filho, fundando o Centro Popular de Cultura da Une. A esta segunda corrente deve-se a criação de músicas que se tornaram verdadeiros hinos na luta pela democratização em nosso país.

O show apresentado por Vavá e seus amigos significou uma oportunidade preciosa para os jovens do Pés no Chão conhecerem algumas das obras mais significativas da música popular brasileira dos últimos 40 anos.

Para muitos, foi um momento de reencontro com músicas que marcaram uma época.