Pés no Chão apresenta os espetáculos
"Água, que pela vida aflora..." e "João de Ferro"
na comunidade do Bonete.

Uma crônica da viagem - Dezembro de 2002

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Uma turma animada acordou cedo para ir ao Bonete.

Como a manhã estava ensolarada, quente e sem vento, a escuna não teve dificuldades para chegar à Ponta da Sela, navegando num mar sem ondas. Sobre seu convés, os alunos do Pés no Chão tomavam sol em meio aos objetos de cena. Eliane serviu suco de frutas, e da padaria da Pousada Saco da Capela 3 enormes formas de pães doces e salgados foram trazidas para serem saboreadas pelos passageiros e tripulantes.

 

A escuna "Mensageiro do Mar" acolheu a todos
com conforto e segurança.

Em pouco tempo, colocamos a Ponta da Sela pelas alhetas de bombordo. Como é comum acontecer, o tempo mudou com a transposição da ponta. De lá até a Praia do Bonete, enfrentamos ventos moderados de sul a sudoeste, bem como ondas de mar aberto. O vento foi bem recebido por todos, pois já sentíamos um pouco os efeitos do calor. As ondas causaram certa preocupação para os mais propensos ao enjôo. Poucos foram os que tiveram que lançar "cargas ao mar".

 

Natali, Mariah, Tina, Bianca, Malu e Érica.

Foi uma navegação agradável. Conversou-se bastante, alguns leram, outros descansaram, houve quem desenhasse e quem bordasse. Algumas alunas aproveitaram o sol para se bronzear.

Nem todos, porém, foram de escuna. A bordo da lancha do Gabriel Borgstrom, Emiliano, Ricardo Iazzetta, Cielo e o próprio Gabriel formaram uma comissão de frente que chegou antes de todos ao Bonete, levando o ofício do Secretário de Educação de Ilhabela, Professor Antônio Cornélio, autorizando que os integrantes do Pés no Chão utilizassem o espaço da Escola Municipal para o pernoite.

Cristina Guedes, aluna e estagiária do Pés no Chão,
aproveitou o tempo para desenhar.

Na enseada do Bonete, a escuna lançou ferros a uma distância segura da praia. Os mais de 100 kg da âncora fizeram um bom trabalho, segurando as 40 toneladas da embarcação que as rajadas de vento tentavam empurrar para a zona de arrebentação das ondas. Em seguida, o bote inflável foi auxiliado pelo Waldeci, com sua canoa "Vitória" na laboriosa tarefa de levar passageiros e bagagem até a cabeceira da praia, junto à foz do rio.

A canoa "Vitória", do Waldeci, levou grande parte dos integrantes e do equipamento do Pés no Chão.

Foi uma operação delicada que exigiu muitos cuidados. Os integrantes foram levados em grupos pequenos, sentados no fundo da canoa para não elevar seu centro de gravidade. Todos ficaram admirados com a perícia com que os canoeiros do Bonete venceram as ondas e a arrebentação e chegaram em segurança à praia. O bote da escuna também contribuiu bastante, mas a canoa revelou ser o tipo de embarcação mais adequado para esse tipo de translado.

O proeiro precisa trabalhar intensamente para ajudar na condução. No centro, sentados no fundo, seguiam os alunos do Pés no Chão.

 

Quando o desembarque terminou, toda a tralha foi levada para a Escola Municipal Antônio Honório dos Santos, cujo espaço foi cedido pelo Secretário Municipal de Educação, Professor Antônio Cornélio, para que os integrantes da comitiva pudessem pernoitar. As professoras Cibele Cristina Toledo (ensino fundamental) e Daniela Carrasco Vieira (Jardim e Pré) nos receberam com carinho e atenção.

Emiliano reuniu os alunos no parquinho da escola para lembrar a todos a importância de se respeitar a comunidade, evitando brincadeiras e atividades que pudessem causar transtorno aos moradores locais. Os alunos do Pés no Chão portaram-se de maneira exemplar, causando boa impressão a todos.

Emiliano conversa com os alunos e alunas, ressaltando o respeito que se deve ter ao visitar uma comunidade isolada.

Depois que os equipamentos e materiais cênicos foram levados à Escola, uma parte da comitiva foi verificar o local onde seriam realizadas as apresentações.

Optou-se pelo campo de bola, onde está sendo construída uma quadra poliesportiva. Em seguida, alunos e professores foram almoçar. As refeições foram servidas no Restaurante da Rose e também no Bar e Restaurante Mc Bones.

A quadra de cimento foi varrida para receber
público, bailarinos e atores.

Não houve tempo para descanso. O chão de cimento rústico da quadra teve que ser exaustivamente varrido. O cenário foi improvisado com tecido do Pés no Chão e estruturas de ferro encontradas no local. Mais uma vez, equipamento e material cênico foram transportados, desta vez, da Escola até a quadra. Terminada a limpeza e arrumação da quadra, os integrantes do "Água que pela vida aflora" foram para um ensaio de reconhecimento do local e adequação da coreografia às condições do espaço disponível, ao solo rústico e áspero e às coxias improvisadas.

Água que pela vida aflora...

Ruben, do Bar e Restaurante Mc Bones, nos emprestou uma extensão de luz e forneceu a energia produzida em seu gerador para que pudéssemos ligar o equipamento de som. Não havia iluminação, e todo o espetáculo foi apresentado com luz natural.

Por volta das 6 da tarde, soaram as primeiras notas da música que abre o espetáculo, e cerca de 150 pessoas assistiram com atenção e reverência a uma história que trata de uma vila de caiçaras semelhante à deles.

O espetáculo foi apresentado no final da tarde.

No dia seguinte, o espetáculo "João de Ferro" foi mostrado pelo Grupo de Contadores de História do Pés no Chão às crianças da Escola Municipal. A apresentação teve que iniciar bem cedo, para que houvesse tempo para carregar a escuna e voltar antes do tempo virar, como parecia que ia ocorrer.

Um fato curioso ocorreu durante a apresentação do "João de Ferro". Fazia calor, e a quadra estava quente demais. Como as crianças participaram de maneira muito expontânea, os integrantes do grupo, auxiliados pela equipe de apôio, conseguiram mudar o local da apresentação para debaixo de uma árvore sem interromper a história. Abrigadas pela sombra, as crianças puderam se divertir mais com as aventuras do "João de Ferro".

A história do "João de Ferro" foi apresentada às crianças do Bonete debaixo de uma árvore frondosa.

Maria Gabriela é aluna do Pés no Chão e faz ballet e acrobacia.

Na volta, alguns integrantes da comitiva
sucumbiram ao cansaço.

 

 

A viagem ao Bonete ficará
marcada na lembrança de todos.

Concentração do material na ponta da praia
para translado de bote até a escuna.

Participaram deste evento os seguintes integrantes
da Equipe do Pés no Chão:

Flavia Celeste - Diretora Artística
Malu Gonçalves - Assistente de Direção e Coreógrafa
Ricardo Iazzetta - Coreógrafo
Emiliano Cesar - Coordenador de Eventos
Tina Ferreira - Teatro
Mestre Hélio - Capoeira
Nádya Fernanda - Capoeira
Tatiana Talarico - Acrobacia
Rosimeire Furuno - Yoga
Marla - Cerâmica

 




 

Marília Kim é aluna de ballet.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A escuna "Mensageiro do Mar", do Vitório e da Eliane, da Pousada Saco da Capela, no entanto, não pôde atracar diretamente no píer, pois a maré estava baixa demais e não oferecia calado para uma embarcação daquele tamanho. Os tripulantes da escuna, porém, não mediram esforços e realizaram um sem número de viagens de bote inflável para levar passageiros e equipamentos para a escuna, ancorada próximo ao píer, num local mais profundo. Por volta de 9:30, zarpamos para o sul da Ilha.

No dia 17 de dezembro, numa iniciativa patrocinada pela Ambiental Litoral Norte, a Alnorte, um grupo de 47 integrantes do Espaço Cultural Pés no Chão foi à Praia do Bonete apresentar o espetáculo "Água, que pela vida aflora..." e a peça infantil "João de Ferro".

Às 7 da manhã, o recém reformado Píer do Perequê começou a receber os primeiros integrantes da comitiva. Seu espaço generoso acolheu uma considerável quantidade de material cênico necessário para os dois espetáculos.

Integrantes do elenco e material cênico começam
a chegar no Píer do Perequê.