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Água que pela vida aflora

Histórias de um lugar

Os antigos contam que a Vila dos Pescadores foi um local bom demais de se morar. Isso até a chegada dos estrangeiros.

Os peixes e as aves sumiram com a barulheira da riqueza. Eles foram embora na mesma época que Mestre Manuel e Dona Cornélia. A última a sair foi a Maria, coitada. Ela achou que tinha ganhado um presente do mar e que ia se casar com um tal de Sereio. Cada idéia... O presente do mar era uma garrafa plástica, dessas grandes de refrigerante. A sabedoria do Mestre Manuel anunciava que o fim da Vila estava próximo. Presente do mar é peixe, dizia ele aos amigos. Parecia que todo mundo estava enfeitiçado com as idéias do progresso, dos luxos e da TV. Mas, afinal, o que uns caiçaras que só sabiam de pesca e de reza iam fazer longe do mar? E hoje? Onde andarão Mestre Manuel, Dona Cornélia, Bidica, Maria e todo o pessoal da Vila?

É certo que o tempo de fartura e de sossego se acabou. Mas, como é bom lembrar das noites de lua cheia e da Rainha do Mar enchendo as redes de peixes pro povo se alimentar. O mundo era todo redondo, e o povo feliz, sem saber.

 

O Foco

Uma janela que se abre na memória para o cotidiano das comunidades litorâneas, seus rituais e cantigas harmoniosamente integradas ao universo mítico e natural.
O processo selvagem e predatório de ocupação, baseado em modelos urbanos e burgueses, varreu da costa brasileira comunidades inteiras de pescadores, tirando-lhes seu sustento, sua dignidade e, sobretudo, sua identidade. No rastro desta invasão, o lixo, o descaso e a irresponsabilidade ambiental.

 

A Criação

Um trabalho coletivo da equipe de professores do Espaço Cultural Pés no Chão deu forma à versão original, que pouco a pouco foi se depurando e aprimorando. O resultado é um espetáculo de dança e teatro no qual são utilizados o linguajar típico caiçara e cantigas tradicionais do folclore regional.

 

Quem realiza

O Espaço Cultural Pés no Chão é uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) criada em 18 de julho de 2001. Sua missão é promover e desenvolver projetos e ações de caráter educacional, cultural e ambiental. Atende gratuitamente a 300 crianças e adolescentes de Ilhabela, oferecendo-lhes diversos cursos de formação artística: dança, iniciação musical em flauta, piano, teatro, acrobacia e malabares, capoeira, yoga, contadores de história, artes plásticas, sapateado, poesia e oficinas de educação ambiental. Seu objetivo é colaborar na formação de cidadãos sensíveis, conscientes de suas capacidades e promotores ativos de uma nova ordem sócio-cultural e ambiental.

 

Objetivo

Ao abordar questões como a ocupação de nosso litoral, o cuidado com os mananciais e a desintegração das comunidades tradicionais, o que se pretende é sensibilizar e provocar uma reflexão sobre o delicado equilíbrio sócio-ambiental. Somos os únicos responsáveis pela preservação ou degradação de nosso meio e, portanto, nos cabe a tarefa de atuar de maneira conseqüente, restaurando o sentido mais profundo da integração entre o homem e o universo que o nutre e acolhe.

 

O elenco

Participam desta edição de "Água, que pela vida aflora" 20 alunos do Espaço Cultural Pés no Chão. Alguns se dedicam a vários cursos, o que lhes proporciona um desenvolvimento artístico abrangente e grande capacidade criativa. Em virtude de sua idade, muitos são solicitados pelos pais a colaborar com a renda familiar. O Pés no Chão tem se esforçado para manter a estabilidade do elenco, recorrendo a atividades alternativas, geradoras de renda, e também à solicitação de bolsas artísticas para os adolescentes.

Últimas apresentações:

O espetáculo foi apresentado no Pés no Chão no dia 23 de outubro de 2003, dentro do 7° Dança e Movimento.

Foi visto, também, na cidade de Extrema, Minas Gerais, no dia 31 de outubro de 2003, para um público de 5000 alunos das escolas públicas do município, encerrando a Semana da Água.